23.8.18



OM

Jamais prononcer: AUM

A + U = O la pronunciation en sanskrit.

N'oublie pas!

24.7.14

Batido para dar ENERGIA ao acordar

Ingredientes para 1 pessoa
Leite de Arroz com Amêndoa COOP 300 cc
1 banana pequena ou ½ banana grande
Gengibre (½ da base do espremedor)
1 colher de chá de Maca (ver Notas)

Utensílios
Liquidificador
Espremedor de alho
1 faca pequena bem afiada (para descascar o gengibre)

Modo de Preparação
Coloque uma pequena parte do leite no liquidificador.
Descasque um pedaço do gengibre suficiente para preencher a metade do espremedor de alho, esprema e a seguir raspe o que sobrar para dentro do liquidificador.
Pique a banana em pedacinhos.
Bata bastante e em seguida acrescente o restante do leite e a maca.
Sirva gelado.

Notas
A banana pode ser substituída por ½ pêra ou alguns morangos.
A Maca peruana pode ser encontrada em pó em lojas de produtos naturais em qualquer país. Link sobre os benefícios: http://mdemulher.abril.com.br/dieta/reportagem/dietas/conheca-maca-peruana-planta-diminui-apetite-ainda-aumenta-libido-749880.shtml
Para encontrar o leite em outros países seguem os links:
Link leite de amêndoas Provamel – Portugal
Link leite de arroz com amêndoas Amandin – Brasil

















2.10.13

“Everything is the divine. Everything is God. Everything is the Self. When our perspective includes everything, only then are we really talking about a unified vision.”
 
Adyashanti
 

23.5.13


Tantra = sexo?

Pedro Kupfer
 

Algumas pessoas têm me procurado através deste site solicitando informações sobre 'aulas de Tantra'. Como não sei exatamente o que elas entendem por Tantra, fico me perguntando como poderia ajudá-las a encontrar o que buscam, ou a evitar as armadilhas em que se arriscam a cair.

Para começar, vamos dizer o que o Tantra não é. Tantra não é um guru mequetrefe prometendo orgasmos múltiplos e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso. Tantra não é uma prostituta com nome de deusa oferecendo seus serviços na internet. Tantra não é um grupo de alienados carentes se excitando e alisando em nome da hiperconsciência. Tantra não é sacanagem, nem infidelidade institucionalizada. Tantra não tem nada a ver com "soltar a franga". Tantra não é tara.

Aquilo que os clones tupiniquins de Osho chamam de Tantra, não é o Tantra (por favor, veja o esclarecimento no fim deste texto, antes de se ofender e interromper a leitura. Obrigado!). Os cursos de Tantra associados à sensualidade, técnicas sexuais e promessas de iluminação através da excitação sexual têm como objetivo sustentar a forma de vida de certos autodenominados 'mestres', que buscam satisfazer seus próprios desvios sexuais e desejos de manipular pessoas, ganhando um dinheirinho de quebra.

Então, o que significa essa palavrinha de seis letras? Tantra é o nome de um vasto leque de ensinamentos práticos que têm como objetivo expandir a consciência e libertar a energia primal do ser humano, chamada kundalini. O princípio comum a todos os caminhos práticos de Tantra é que as experiências do mundo material podem usar-se como alavanca para conquistar a iluminação, já que este é a manifestação de uma outra realidade, sutil e superior, que está conectada com a nossa própria natureza.

Nesse contexto, a visão do Tantra associada ao êxtase sexual é pateticamente superficial e parcial, se comparada com a verdadeira tradição. O Tantra não é hedonista nem orgiástico. O objetivo do Tantra é o despertar da força potencial no homem.

Um colega, professor de Yoga, comentou recentemente que apenas 10% dos textos tântricos tratariam sobre sexo. Pessoalmente, acho esse número demasiado elevado. Dos muitos shastras que consegui garimpar na Índia, em sânscrito e em inglês, não têm sequer um que trate em detalhe da sexualidade. Algumas técnicas sexuais, como a reabsorção seminal após a ejaculação (vajroli), se descrevem, por exemplo, na Hatha Yoga Pradípika.

A única obra hindu que conheço que trata explicitamente sobre sexualidade, e como aumentar a performance na cama, é o Kama Sutra, que não é um shastra tântrico e que, por sinal, fala muito mais sobre ética do que você poderia pensar sem ter a obra em mãos (1).

Embora existam diversas vertentes dessa tradição, todas têm o mesmo objetivo e usam as mesmas ferramentas para atingi-lo: mantras (sons de poder), yantras e mandalas (diagramas sagrados sobre os quais se exerce a concentração), chakras (centros da força vital), práticas de iniciação e purificação e um sistema ético que une e protege o grupo de praticantes. Essa lista de práticas é incompleta, pois os métodos dessa tradição incluem um espectro muito amplo de crenças e técnicas.

Tantra significa literalmente tecido, urdidura; pode ser traduzido como 'espargir o conhecimento' ou 'a maneira certa de se fazer qualquer coisa', tratado, autoridade, estender, multiplicar, continuar.

Também designa o encordoamento do sitar ou outro instrumento musical. É o nome de um movimento filosófico que compartilha suas principais premissas com a filosofia do Yoga, herança e patrimônio da cultura dos rios Indus e Sarasvati. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano.

O Tantra assimilou e organizou os rituais da Magna Mater, transformando-os num método de emancipação que busca na psique humana a manifestação da própria força da Shakti. Esse movimento teve uma forte influência sobre a religião, a ética, a arte e a literatura indianas, havendo ressurgido com inusitada força entre 400 e 600 d.C., quando chegou a transformar-se numa moda que acabou por influenciar nos modos de pensar e agir da sociedade indiana medieval. Aqui ela se afirma, populariza e estende ainda mais, dando origem a um grande número de correntes e manifestações filosóficas, religiosas, mágicas e artísticas, algumas antagônicas.

"Não se trata de uma religião nova, senão de uma nova caracterização de fatos que pertencem ao hinduísmo comum, mas que, às vezes, só se apresentam precisamente em suas formas tântricas. Percebe-se o selo do tantrismo na mitologia e na cosmogonia, mas, principalmente, no ritual. O gérmen se remonta com freqüência aos Vedas, especialmente ao Atharva Veda, que pode considerar-se um hinário pré-tântrico." Jean Renou, El Hinduismo, p. 89.

O Tantra não pertence à tradição ortodoxa hindu,  já que não existe um darshana com esse nome. Sua visão do mundo é herança e síntese da Índia aborígene e da Índia vêdica, muito mais antigas do que imaginaram os estudiosos ocidentais do século XIX. É uma forma de ver a vida e cada um de seus aspectos.

Há diferentes linhas do tantrismo: o Dakshinachara, linha da 'mão direita', ou de tantrismo branco, se justapõe, através dos 'rituais de compensação', ao Vámachara, corrente da 'mão esquerda', do tantrismo negro, corrente na qual se destaca a escola Kaula, fundada por Matsyedranatha por volta de 900 d.C.

O tantrismo negro se caracteriza pelos rituais de transgressão, como o pañchamakara (os cinco m), no qual o praticante utiliza a ingestão de bebidas embriagantes, carnes e o coito ritual como meios de chegar à sacralidade. Podemos identificar alguns desses rasgos no Rig Veda, nas libações ceremoniais do soma e nos rituais sexuais. No ritual de compensação do Dakshinachara, o vinho é substituído por água, a carne por coco seco, o coito pelo culto da Shakti, etc.

O Yogini Tantra (V:14) diz:

"Madya, o vinho, é o conhecimento intoxicante do Parabrahman adquirido através do Yoga, que isola o praticante do mundo exterior. Mamsa não é a carne, mas o gesto em que o sadhaka consagra todos seus atos à Shaktí. Matsya, o peixe, é o conhecimento sáttvico pelo qual o adorador sente compaixão pelo prazer e a dor de todos os seres. Mudra, o cereal tostado, simboliza a renúncia a todas as formas do mal, que conduzem a novos condicionamentos. Maithuna é a união da kundalini shakti com Shiva no corpo do adorador."

Um dos artigos de fé do povo vêdico era, portanto, que a união sexual conduzia à bem-aventurança do além e devia cumprir-se com verdadeiro espírito religioso para assegurar o bem-estar espiritual, censurando-se severamente a lascívia." S. B. Lal Mukherjí, ensaio em Shakti y Shakta, de Sir John Woodroffe, p. 83.

A visão cosmogônica do Tantra, com suas perguntas essenciais, evidencia uma atitude especulativa sobre a antropogênese que a vincula ao Samkhya. A cosmogonia se caracteriza pela união dos opostos: isto é, se trata de uma coincidentia oppositorum, conjunção dos opostos que se complementam. Essa idéia não é original do Tantra: existiu em outras cosmovisões ao longo da história da Humanidade; mas o tantrismo recupera para si esse princípio, muito mais antigo que ele próprio.

Esses dois princípios em coincidentia oppositorum são Shiva e Shakti. Os rishis, sábios ascetas do alvorecer do pensamento hindu, chamaram Brahman ou Shiva o princípio primordial. Tudo existe em função dele, tudo é reflexo e evidência da sua realidade. Não há noção de criação do mundo nem há Deus: no plano macrocósmico, Shiva é, parafraseando Aristóteles, o motor imóvel do mundo. É o Princípio Imutável e Eterno, nem ativo nem criador. Ele não faz nada: apenas é. Sua manifestação é Shakti, palavra que significa energia e, por extensão, esposa. Shakti é a Prakriti, a Natureza do Samkhya, a energia criadora que provoca a manifestação do Universo.

Shiva é inabalável: a ele pertencem o Ser e a Consciência; à Shakti correspondem o movimento, a mutabilidade e a geração. Esses dois princípios se representam na iconografia do tantrismo unidos no viparíta maithuna: Shiva aparece deitado ou sentado, imóvel, enquanto Shakti está sempre sobre ele, ativa no ato da manifestação.

Esse modo de pensamento não é religioso, dogmático ou doutrinário, mas estritamente especulativo. Dessa maneira, o Tantra, assim como o Samkhya, se aparta de outras visões que incluem os conceitos de criação, divindade, origem do mundo, et coetera.

Contudo, o Tantra possui uma certa semelhança com algumas formas de panteísmo: O que está aqui, está em toda parte; o que não está aqui, não está em parte alguma (2). Daí provém o culto à Natureza e à feminilidade. Para o Tantra, o mundo tangível é bem real: ilusório é pensar que o Ser (Shiva) intervenha ativamente no Universo manifestado.

Agora, vamos falar um pouco sobre a parte do Tantra que se ocupa do sexo ritual. A incompreensão do Tantra e o simbolismo que o transmite colaborou para considerá-lo repulsivo, vergonhoso e digno de escárnio. A preocupação daquele que condena o Tantra é fruto da sua própria obsessão com a questão sexual, que o leva a querer coartar a liberdade dos demais. Nesse sentido, o tantrismo é totalmente natural, e a sua abordagem do sexo não é patológica, mas absolutamente sadia, de uma espontaneidade difícil de aceitar para os padrões da 'decência' cristã.

Maithuna, o ritual sexual, não tem nada a ver com pornografia ou licenciosidade, muito pelo contrário, é um instrumento que revela a dimensão divinal da natureza humana. Entretanto, nos últimos tempos, têm surgido mestres inescrupulosos que vendem sexo como se fosse superconsciência, o que acaba por divulgar e tornar conhecidas no Ocidente unicamente as formas mais vulgares e degradadas do Tantra.

"O maithuna é a técnica tântrica que mais fascina os ocidentais, que com demasiada freqüência confundem-na com uma indulgência para com os apetites sexuais, em vez de vê-la como meio para dominá-los." Daniel Goleman, A Mente Meditativa, p. 98.

Enquanto alguns buscam a elevação através da repressão ou da eliminação do desejo sexual e suas raízes (samskaras), para o tantrismo a sua utilização é condição básica. O homem deve evoluir executando as mesmas ações que causam a sua perdição. Assim, afirma o Kularnava Tantra:

Quando caímos no chão, é com o auxílio do chão que nos levantamos.

"Pelo próprio fato de não se tratar de um ato profano, mas de um rito, no qual os participantes não são mais seres humanos senão que estão 'desprendidos', como deuses, a união sexual não participa mais do nível kármico. Os textos tântricos repetem com freqüência o adágio: 'pelos mesmos atos que fazem com que muitos homens se queimem no inferno durante milhões de anos, o yogin obtém a salvação eterna'. (...) O jogo erótico se realiza num plano transfisiológico, porque nunca tem fim. Durante o maithuna, o yogin e sua náyiká (4) incorporam uma 'condição divina', no sentido de que não somente experimentam a beatitude, senão que podem contemplar diretamente a realidade última." Mircéa Éliade, El Yoga. Inmortalidad y Libertad, pp. 194, 197.

Um esclarecimento a eventuais leitores desatentos: quando escrevo "clones tupiniquins de Osho", não estou, de maneira alguma, querendo ofender Osho ou seus discípulos. Um clone é uma cópia. No dicionário encontramos a seguinte definição de clone. É "o que aparenta ser a cópia de uma forma original". Tupiniquim, ainda segundo o dicionário, significa "indígena pertencente ao grupo dos tupiniquins. Uso: informal, jocoso ou pejorativo". Um "clone tupiniquim", portanto, é um imitador que não chega aos pés do original; uma cópia malfeita, chinfrin, um imitador barato, um auto-didata aspirante a "mestre" de sexo tântrico. Conheço algumas pessoas desse naipe que, por exemplo, promovem cursos de "nudismo consciente" e outras palhaçadas. Minhas desculpas se o tom de algumas seções deste texto ofende pessoas que consideram que o Tantra seja mesmo uma terapia sexual. Na dúvida, perguntem ao Dalai Lama, um tântrico da melhor estirpe. Namastê!


O que são Shastras?

Shastras são os escritos sagrados do hinduísmo. Eles estão divididos em quatro classes:

1) Shruti
Considerados como revelação divina direta; incluem os quatro Vedas (antigos livros de salmos) e alguns Upanixades (antigos livros de filosofia);
2) Smriti
Que inclui os ensinamentos tradicionais dos sábios ortodoxos, instruções canônicas para cerimônias domésticas e certas obras de lei secular e religiosa;
3) Purana
Que são as obras mitológicas e épicas hindus por excelência; tratam do conhecimento teológico, astronômico, cosmogônico e físico;
4) Tantra
Textos que descrevem técnicas e rituais de adoração de divindades, assim como atingir a força supernormal. Entre os Tantras, há um grupo particularmente importante de escrituras (chamadas Agamas), as quais, segundo se supõe, foram reveladas diretamente pelo Deus Universal, Xiva, e pela sua deusa Parvati. (São chamados, por conseguinte, o "Quinto Veda".) Eles servem de suporte a uma tradição conhecida especificamente como "O Tantra", que exerceu uma penetrante influência sobre as formas posteriores de iconografia hindu e budista. O simbolismo tântrico foi levado pelo budismo medieval para fora da Índia (Tibete, China, Japão).

Fonte(s): As Máscaras de Deus - Mitologia Oriental - Joseph Campbell

 

20.2.13

 
 
 
Meet Me Here
 
Join me here Now
where there are no points of view.
Slip under good and bad
right and wrong
worthy and unworthy
sinner and saint.
 
Meet me here
where everything is unframed
before understanding
and not understanding.
 
Meet me here
where silence roars
where stillness is dancing
where the eternal is living and dying.
 
Meet me here
where you are not you
where you are It
and It is unspeakable.
 
Meet me here
where all points of view
merge into a single point
that then disappears.
 
Meet me here
before there ever was something
before there ever was nothing.
 
Meet me here
where everything speaks of this
where everything has
always spoken this
where nothing is ever lost or found.
 
Meet me here.
 
Adyashanti


 

21.1.13

 
 
 

Hoje

Hoje eu senti
O  sopro da vida dentro de mim
Hoje eu conheci
O que é eterno em mim
Hoje eu descobri
O que está além de mim
Hoje eu despertei
Para a única coisa que sustenta a existência em mim.

Vd’B
12.12.12

 
Today

Today I felt
The breath of life inside of me
Today I recognized
What is eternal in me
Today I glimpsed
What is beyond me
Today I awaked
For the unique thing that sustains the existence in me.

Vd’B
12.12.12

 
Aujourd’hui

Aujourd’hui j’ai senti
Le souffle de la vie dans moi
Aujourd’hui j’ai connu
Ce qu’est éternel en moi
Aujourd’hui j’ai découvert
Ce qu’est au-delà de moi
Aujourd’hui je me suis éveillée
Pour l’unique chose que soutient l’existence en moi.

Vd’B
12.12.12

 

 

10.9.12


caminho do meio no Hatha Yoga
Pedro Kupfer
 
 

Quando pensamos em certos tipo de prática de Haṭha Yoga que estão em voga hoje em dia, vêm à nossa mente a coisas como esforço excessivo, copiosa transpiração, respiração pesada ou difícil e, em alguns casos extremos, tensão e lesões. Vemos, com alguma frequência, pessoas se esforçando muito além da conta, praticando como se não houvesse amanhã, com atitudes de fanatismo e irresponsabilidade. Quem pratica fazendo um esforço exagerado, que pode se traduzir em lesões ou perda da integridade física, não está pensando no futuro, nem construindo uma relação de longo prazo com o próprio sādhana.
 
 
Ângela Sundari em bharadvajāsana. Foto de Aline Gama

 
Essa é uma atitude arriscada e até mesmo irresponsável, pois a pessoa reduz seriamente a chance de ser bem sucedida no Yoga. Assim, se quisermos levar a nossa prática pessoal a bom porto, precisamos ponderar sobre o que é sábio esperar dela e o que possam ser apenas expectativas infundadas. Para que praticamos āsanas, prāṇāyāmas e meditação? Como praticar sem colocar em risco a nossa integridade física? Tentaremos responder estas questões ao longo do texto.

 
Porque praticar?

A resposta a esta questão parece fácil: se o objetivo do Yoga é mokṣa, a liberdade, então o propósito da prática deve ser esse mesmo. A conta é aparentemente fácil: praticando conscienciosamente, com cuidado, disciplina e assiduidade, um dia, por arte de mágica, a iluminação irá acontecer. Certo? Infelizmente, essa leitura da maneira em que o Yoga opera está equivocada. Ninguém, nunca, se iluminou apenas por ficar fazendo posturas, por “avançadas” que possam parecer, assim como ninguém nunca se iluminou por fazer prāṇayāmas ou mantras. Mesmo se forem repetidos durante décadas, estes exercícios são apenas ações, e ações não iluminam ninguém.

Se assim fosse, seria muito fácil: qualquer pessoa suficientemente flexível, forte o concentrada poderia, num prazo razoável, alcançar o estado de liberdade. Práticas de concentração e meditação, se devidamente aperfeiçoadas, são capazes de levar o yogi ou a yoginī a um estado transitório conhecido como samādhi, que abrange vários tipos de experiência extática. Ora, esses estados de êxtase ou ênstase, ao dizer de Mircea Eliade, não são o objetivo final do Yoga mas ferramentas auxiliares que ajudam o praticante a lembrar da sua própria natureza.

O processo do Yoga, conforme é explicado na Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad, consta de tres etapas: śravaṇam, mananam e nididhyāsanam. Śravaṇam é ouvir o ensinamento. Mananam, questioná-lo e esclarecer as dúvidas. Nididhyāsanam e meditar sobre o que se sabe sobre si mesmo. O objetivo imediato das práticas menos sutis do Haṭha Yoga, como purificações, āsanas e prāṇayāmas é o de manter a saúde do corpo, a longevidade e o bem-estar. Num plano mais sutil, os āsanas, bem sabemos, nos ajudam a eliminar couraças de tensão e mobilizam de maneira intensa o fluxo da energia vital. No melhor dos casos, a prática de āsana, prāṇayāma ou mantra poderia se considerar um exercício de nididhyāsanam, desde que feita com a atitude adequada. Porém, o amigo leitor há de reconhecer, nenhum desses objetivos é mokṣa.

Praticamos, não para nos iluminar, senão para termos saúde, longevidade e condições adequadas e conduzentes para que a iluminação tenha lugar. Mokṣa não depende de flexibilidade, força, condicionamento físico. Tampouco depende da capacidade de reter o ar por longos períodos ou de controlar o processo respiratório. A rigor, nem sequer depende da saúde do corpo físico embora, como ensina o sábio Patañjali no Yoga Sūtra, a doença seja um obstáculo para o Yoga.

Mokṣa não é uma experiência, nem o resultado de alguma ação. Mokṣa é o reconhecimento de si mesmo como alguém que já é intrinsecamente livre de limitações. Para ter mokṣa, preciso conhecer a mim mesmo. Para isso, preciso receber instrução de um professor qualificado, eliminar minhas dúvidas e refletir constantemente sobre minha natureza real. Nada mais. A esse respeito, diz a Muṇḍaka Upaniṣad, (I:2.12):

parīkṣya lokān karmachitān brahmaṇonirvedam āyānnāstyakṛtaḥ kṛtena | tadvijñānārthaṁ sa gurumevābhigacchetsamitpāṇiḥ śrotriyaṁ brahmaniṣṭham ||

“Examinando as experiências obtidas pelas ações, que a pessoa de discernimento possa encontrar o desapego. Mokṣa, que não é criado, não pode ser obtido através de ações. Portanto, para ter o conhecimento de Brahman, ele deve ir, com os gravetos sacrificais nas mãos, até um professor bem versado nas escrituras, que tenha um claro conhecimento sobre Brahman”.



Como praticar sem colocar em risco a integridade física?

Havendo ficado claro que o objetivo do Yoga não se encontra nos aspectos físicos, vitais ou energéticos da prática, resta-nos, pensar numa maneira eficiente e saudável de praticar os diversos exercícios do Haṭha. Estabelecidos num patamar de calma em relação ao que podemos esperar e ao que não devemos buscar nas experiências corpóreas, sejam estas densas ou sutis, verificamos que, numa relação de longa data com o Yoga, existe a possibilidade de praticarmos pelo resto das nossas vidas, seja lá o que isso significa.

No meu caso pessoal, estou praticando Yoga consistentemente há 29 anos. Não imagino que possa parar um dia. Mas, ao longo destas quase três décadas, tive que fazer muitos ajustes, tanto na intensidade como na duração das práticas cotidianas. Se, antigamente, tinha tempo e disposição para praticar até oito horas diárias de āsana, hoje em dia não tenho essa disponibilidade de tempo e energia.

Assim, junto com a idade, vieram algumas limitações naturais, advindas dos vários acidentes de percurso que tive en escaladas, pedaladas, sessões de surf e até mesmo incidentes dentro da sala de Yoga. A cada momento, preciso avaliar como o está o corpo para ajustar o que for preciso ajustar. Posso fazer práticas intensas, mas sempre tomando o cuidado que as minhas articulações merecem e pedem.

Por outro lado, percebo que consegui também reduzir o tempo de prática enquanto aumentei a eficiência daquilo que pratico. O corpo se movimenta com prazer, buscando aquilo que lhe faz bem, que energiza, expande, relaxa e tonifica. O ego, naturalmente, pode se entusiasmar. Buddhi, a inteligência, está presente, atenta, para evitar que o excesso de entusiasmo do ego, baseado no bem-estar que a prática proporciona, leve o corpo para situações nas quais ele não deveria estar.

Tenho o objetivo de seguir o exemplo de muitos praticantes cujo entusiasmo e amor pela prática nunca esmoreceu. Alguns deles, como BKS Iyengar ou o professor Hermógenes, continuam inspirando gerações de praticantes até hoje. Tenciono continuar esse processo baseado na aplicação de três princípios que têm se revelado essenciais para levar a prática adiante: ahiṁsā, tapas e asteya. A combinação desses três valores resultou, no meu caso, absolutamente essencial para levar a prática pelo bom caminho. Agora, estudaremos eles, um a um.

Ahiṁsā.

Evidentemente, ahiṁsā, a não-violência deve ser parte integrante das atitudes com as quais pratico. Ahiṁsā é ser pacífico e tranquilo, evitanto toda e qualquer forma de agressão. Onde nasce a não-violência? Como ela opera? Swāmi Dayānanda esclareceu esses importantes pontos num retiro que fizemos este ano na cidade sagrada de Rishikesh, na Índia:

“O dharma básico é a constatação de que, se eu não quero ser ferido, não devo ferir os demais. Para evitar nos colocar em situações indesejáveis, devemos os ater aos valores universais, como o da não-violência, ahiṁsā, já que naturalmente, nenhum ser vivo quer ser ferido. O mesmo que queremos para nós, devemos querer para outrem.

“Se eu tenho claro que não quero ser ferido ou morto, devo estender esse mesmo sentimento a todos os demais, sejam humanos ou não. Estar em concordância com esses valores universais é se colocar em harmonia com Īśvara. Todos os yamas e niyamas partem da mesma base. Qualquer um desses valores têm a mesma intenção: me ajudar a usar o meu livre arbítrio da melhor maneira”.

Estendendo o princípio da não-violência ao meu próprio corpo, preciso elaborar uma estratégia durante a prática para evitar qualquer tipo de violência em relação a ele, bem como evitar qualquer tipo de lesão ou agressão. Para isso, devo ir com cuidado e atenção, observando uma atitude tranquila e compassiva em relação ao corpomente.

Muitas vezes acontecem lesões por esforço repetitivo, que também precisam ser evitadas. São aquelas lesões que surgem quando fazemos muitas vezes o mesmo movimento ou repetimos muitas vezes o mesmo āsana. Se isso não for feito com o devido cuidado, pode haver uma “fadiga de material”, o que pode dar lugar a lesões de tendões, ligamentos ou discos intervertebrais.

Tapas.

Tapas ou tapaḥ pode ser traduzido como “esforço sobre si próprio”. Deriva da raíz tap, que quer dizer “tornar-se ardente”, e está vinculado à fricção ou ao calor interno que é gerado através de um esforço constante. As práticas de tapas estão presentes na literatura do Yoga, já desde os tempos do Ṛg Veda, pois essa atitude ocupa um lugar central no processo do autoconhecimento.

Consiste em fazer um esforço contínuo para se manter no estado de atentividade, essencial para a boa continuidade do processo do autoconhecimento. A mesma Muṇḍaka Upaniṣad que citamos anteriormente nos esclarece sobre a importancia de tapas (III:2.4):

nāyamātma balahīnena labhyaḥna cha pramādāt tapaso vāpyaliṅgāt | etairupāyairyatate yastu vidvāntasyaiṣa ātmā viśate brahmadhāma ||

“[O conhecimento sobre] Ātma não é obtido por aquele que não tiver força. Tampouco por quem for omisso, nem por quem busca o conhecimento sem ter renunciado [aos desejos por anātman]. No entanto aquele que cultivar o discernimento e se esforçar por estes meios, entra na casa de Brahman (Brahmadhāma)”.

Traduzindo este valor para a maneira de praticar, devemos olhar para nosso sādhana como um momento onde existe um esforço constante, não apenas no sentido físico, mas também no sentido de evitar nos machucar, através das observação atenta e da prática da compaixão em relação ao próprio corpo. Noutras palavras, esforçar-nos sem forçar. Esforçar-se continuamente sim, mas nunca ultrapassar os limites naturais do corpo.

Tapas, na prática, se traduz na forma do calor corporal que é gerado naturalmente quando um esforço razoável é feito. Em dias de calor, é natural transpirar. No sul do Brasil, durante o inverno, por vigorosa que a prática seja, ela não deve produzir excessiva transpiração. Em práticas onde sintamos que o corpo está muito bem disposto, é possível explorar os limites da força, a permanência ou o equilíbrio em certas posições.

Na medida do possível, quando o praticante já desenvolveu independência e aprendeu a construir sozinho sua prática pessoal, ele deve incluir āsanas ou prāṇayāmas que estejam de acordo com o corpo que ele tem, as necessidades desse corpo e o momento em que a prática está sendo feita. Esse último item inclui a estação do ano, a altura do dia, a temperatura ambiente e outros fatores similares.

Asteya.

Asteya significa literalmente “não-roubo”. Traduz-se como honestidade. Aqui, deve ser interpretado no sentido de evitar o impulso de arrancar do corpo algo que ele não entrega naturalmente. Muitas vezes nos defrontamos, ao fazer āsanas, prāṇayāmas ou meditação, com os limites naturais do físico, da capacidade vital ou da mente.

Nos momentos nos quais este tipo de limitação se revela, pode acontecer de o ego querer forçar as coisas e forçar o corpo para além da sua capacidade, resistência, alongamento, equilíbrio ou concentração. Isso é uma espécie de roleta russa que o praticante desatento joga com seu próprio corpomente. Pode ser que a pessoa não se machuque ou frustre, mas a chance é grande e está sempre presente. Cedo ou tarde, o indesejável pode ter lugar.

Cultivando a observação constante, o praticante permanece atento aos sinais do seu corpo: respiração irregular ou ofegante, excesso de transpiração, mente dispersa, falta de estabilidade na postura e sensações de dor são sinais de que as coisas não estão fluindo da maneira que deveriam. Nesses casos, ao invés de insistir no erro, o yogi consciente deveria parar, avaliar a situação e ajustar o que fosse preciso ajustar.

Uma regra importante é evitar os ângulos nos quais haja dor nas articulações. Qualquer dor dentro de uma articulação, seja o quadril, os ombros ou a coluna lombar, é sinal de falta de alinhamento e/ou falta de espaço para que o movimento aconteça de maneira saudável. Nesse caso, é desejável contornar os pontos onde a dor acontece e/ou diminuir o ângulo no qual a ação de estender o fletir estiver acontecendo.

Assim, podemos considerar que asteya seja o caminho do meio, o ponto de equilíbrio entre ahiṁsā e tapas. Aplicando os três princípios ao mesmo tempo conseguimos o equilíbrio adequado e necessário para que a prática transcorra da melhor maneira possível, na intensidade e duração adequadas, ao mesmo tempo em que lidamos objetivamente com as expectativas que o nosso ego possa elaborar em relação ao que significa praticar Haṭha Yoga, bem como em relação aos resultados que podemos obter dessa prática.

Namaste!